Clímax

Clímax (1)

Clímax
Texto: Lucas Alves Serjento
Imagem da capa: Daria-Yakovleva

Cinco cavalheiros se reúnem em uma mesa de bar, com seis copos postos sobre a madeira. Eles se entreolham e, em seguida, baixam os olhos para o chão. Aquele era o primeiro sinal da mudança nos tempos.
Nenhum deles falara, mas todos sabiam que não havia retorno a partir dali. Como permitiram que as coisas saíssem do controle daquela maneira? Agora era óbvio o próximo passo de seus inimigos.
O mais novo entre eles se levanta, olha nos rostos dos outros e coloca um cartão preto sobre a mesa, com a letra “J” escrita em branco. Ele encara a face daqueles que tantas vezes antes lhe prestaram ajuda. O mais velho e gordo, sentado e com uma cadeira vazia posta ao seu lado, encara-o com expressão soturna e pergunta:
-É chegado o tempo de todos nós?
Ao lado do cartão, o rapaz coloca uma foto. Nela, uma garota sorri para a câmera. Um grunhido coletivo ecoa da mesa. Ninguém ali diria que o rapaz tinha outra opção. Ele olha para o homem que lhe perguntou, respondendo com tremor em sua voz:
-Pediram para dizer que o nosso tempo acabou.
O outro acena um consentimento. Todos engolem em seco e erguem os copos.
“Salut!”
Um deles, homem de rosto bexiguento e olhos castanhos amendoados, olha para o mais jovem e se pergunta se poderia fazer algo. Todos percebem seu olhar e balançam a cabeça em negativa. Um homem de aparência cansada e idade tardia, ao seu lado, põe a mão em seu ombro e diz, como em um suspiro:
-Nós sabíamos o que poderia acontecer. Se chegamos a esse ponto, precisamos fazer com que as coisas aconteçam da maneira menos prejudicial possível.
Entre eles, o último homem, mais alto que os outros e que usava um chapéu negro, voltou os olhos para o jovem.
-Você trouxe algum explosivo?
Um aceno positivo o respondeu. O mais velho, vendo a resposta, apontou o centro da mesa.
-Use-o.
O rapaz sacou três granadas. Entregou uma para o homem de rosto bexiguento e outra para o homem de chapéu negro. Os outros dois se ocuparam arrumando as gravatas. O dono do bar, alheio à conversa, se aproxima da mesa, os olhos fixos nos copos vazios.
-Posso ajudá-los com alguma coisa?
-Não. – O mais velho responde. – Obrigado, Jeremy, mas tivemos o bastante. – Ele recebe uma reverência por resposta. – Mande lembranças à Jennifer e às crianças.
-Obrigado, senhor.
O rapaz mais jovem pigarreou. Os olhos de Jeremy se voltaram para ele.
-Sinto muito pela bagunça.
-Não se preocupe com isso. – Jeremy responde, um meio sorriso em seus lábios. – Estamos de partida deste lugar. Parece o mais sensato a fazer.
-Concordo. – Disse o homem de aparência cansada. – É o melhor a se fazer.
-Se não desejam mais nada, vou me retirar.
-Que a boa sorte o acompanhe.
Eles esperam que ele se retire e escutam os veículos que se movimentam do lado de fora do bar. O som de pessoas que passam e da vida fora dali. Esse som que diminui lentamente, até se tornar um ruído e, então, desaparecer.
Apenas por um instante.
E então o som dos motores. É chegado o tempo.
Eles se encaram e sabem que chegou.
Os três homens que portam granadas agarram o pino e acenam uns para os outros. Arrancam-nos e então jogam os explosivos para baixo da mesa onde estão. O mais jovem coloca a sua sobre a mesa e a deixa rolar com o desnível.
Tic, tac.
Bum.
Talvez agora alguém dentre eles pode conhecer algo além de sofrimento e ganância.

Talvez todos eles não conheçam nada nunca mais.

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