Mar Português

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Projeto Renascimento

Mar Português

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador*
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

*Bojador: Região do Oceano Atlântico próximo à região Norte Africana, onde correntezas são fortíssimas e o mar costuma ser revolto. Na época das grandes navegações, era nessa região onde a população acreditava estar a “Beirada do Mundo”.

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Fernando Pessoa. Precisa de apresentações? O homem, além de um gênio com o estilo tradicional de poesia, não se limitou a explorar os limites do conhecido, mas se aventurou no mar das palavras e inventou maneiras de contar seus sentimentos e fazia da própria estrutura parte da história que o interessava. Mais do que merecida sua lembrança e homenagem no nosso quadro. Se é que podemos dizer que é necessário o renascimento desse nome. Afinal, quem nunca ouviu os famosos versos: “Tudo vale a pena / se a alma não é pequena”?

Seleção feita por Celso Naves Esault Jr.

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O Projeto Renascimento é uma iniciativa do site Enchendo Estantes – Uma tentativa de chamar a atenção das pessoas para autores clássicos e a beleza de obras que correm o risco de cair no esquecimento.

Como o objetivo do projeto é ser acessível, os textos aqui colocados serão de autores pertencentes ao domínio público, logo, suas obras podem ser encontradas no site http://www.dominiopublico.gov.br, de modo a não ser infringida nenhuma lei de direitos autorais.

Eventuais obras estrangeiras aqui expostas terão traduções feitas pela equipe do site, de modo a não incorrer em quebra de eventuais direitos de tradutores nacionais.

O autor escolhido para abrir o projeto é Luís Vaz de Camões justamente por representar, com poucas palavras, a beleza e distinção inerentes à língua portuguesa, ainda que em pequenas amostras, como no caso de seus Sonetos, demonstrando a riqueza de um estilo já tão explorado e que em suas palavras permanece tão jovem.

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