A Força do Cinema Mudo

A Força do Cinema Mudo

Uma Opinião sobre

A Força do Cinema Mudo

Thiago Camargo Conceição

Apesar de praticamente extinto, o Cinema Mudo continua a ter alguma coisa para ensinar a todos: A força do formato.

Muitos dizem que as limitações ajudam na criatividade, mas poucos explicam as razões para isso. Afinal, é da natureza das limitações “limitar” o potencial de uma obra. Ainda mais uma obra que tem os pés firmados sobre história e mensagem. Por isso o caso do cinema mudo é tão interessante. Afinal, à exceção de uma ou outra placa durante a película, todo um filme precisava se desenrolar sem que palavras sejam ditas. Isso elimina possibilidades interessante como o diálogo construtivo e o desenvolvimento de personagens através das falas (à lá Tarantino) e também ajuda eliminando possibilidades desagradáveis como diálogos expositivos em excesso.

Porém, o cinema mudo ainda conta a história. Ainda expõe o mundo e suas regras. Ainda desenvolve personagens, ou seja: Mesmo sem falas, dá um jeito de manifestar os aspectos necessários para que uma história seja contada. É aí que a criatividade entra. Porque é fácil apontar um artefato e explicar a história dele, outra completamente diferente é dizer a história de um artefato sem poder dizer com palavras. É fácil montar uma trama de assassinato e descoberta do assassino quando se pode dizer o que está acontecendo, outra é demonstrar motivação, planejamento, execução, investigação e descoberta sem poder dizer uma palavra.

Por isso os mestres do cinema mudo desenvolveram uma série de técnicas para suprir esse tipo de problema. Colocação da câmera, utilização de gestos, desenho da imagem, avanço visual, tudo corrobora para contar aquilo que precisa ser contado. E não seria dessa maneira se o formato não fosse absolutamente conhecido. Se o ponto fraco – limite da comunicação – e o ponto forte – apelo visual fossem desconhecidos, aqueles que utilizassem o formato seriam prejudicados e não seria possível contar uma boa história. De certa forma, o cinema mudo é o inverso do universo dos livros naquilo que diz respeito aos pontos fortes e fracos.

A lição que o cinema mudo deixa e que, na realidade, é bastante simples em seu conceito, é a de que o produtor deve ter conhecimento das limitações do seu formato. Ao perceber que a imagem é o ponto forte, um fotógrafo (por exemplo) não vai tirar foto de palavras – via de regra -, mas irá buscar uma composição que revele mais de uma maneira adequada àquilo que ele propõe fazer.

Um escritor, nesse panorama, deve buscar a melhor maneira de expor sua história. E isso implica em decisões como não narrar o ambiente através de enumeração dos elementos, mas, por exemplo, pela interação de um personagem e o modo como cada um dos móveis interfere na cena em ocorrência. Pode implicar também na escolha em explicar cada vez menos elementos visuais e cada vez mais as ações e sentimentos.

As aplicações são infinitas e transmitem uma mensagem que não é aplicável somente nas artes, mas na vida: Conheça seus pontos fracos, explore seus pontos fortes.

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