Micro Texto

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Micro Texto

Thiago Camargo Conceição

Rafael atravessa a porta da loja com a arma na mão. Entra no estabelecimento, mascarado e trêmulo. Sua voz é de comando, mas o suor por baixo do pano que lhe cobre o rosto denuncia o nervosismo. Ele sequer sabe o que fala, porque, em sua mente, há espaço somente para pensamentos sobre os pseudo responsáveis por sua presença, ali, tomando o que não é seu.

Ele grita com o caixa, dando ordens para obedecê-lo. Sai dali com o dinheiro, sobe na moto onde é esperado pelo comparsa e vai para casa. Tira a máscara no caminho. Chega em casa. Divide o dinheiro. O companheiro sai. Ele guarda a arma e vai para a cama. Pensa um pouco no quão horrível é sua vida e nos motivos pelos quais não muda sua situação. Sente-se mal e compromete-se a parar. Mas, como sempre, não chega a pensar em como fará isso.

Um mês depois Rafael entra em outra loja com a arma na mão. É recebido com um tiro no peito, dado pelo atendente, dono do estabelecimento, que se armou depois que a polícia não conseguiu pegar o ladrão que assaltou sua loja no mês anterior.

Rafael sangra, caído no chão, enquanto seu companheiro liga a motocicleta e vai embora para voltar em algumas semanas, com um novo Rafael.

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