Falling in Love

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Falling in Love

Thiago Camargo Conceição

Quanto tempo faz?

Será que alguém poderia me dizer há quanto tempo me sinto vazio?

Porque desconfio que tenha começado quando decidi parar de amar. Ou talvez quanto me machucaram pela primeira vez. Ou quando não fui capaz de me impelir à frente e começar de novo.

Mesmo sem saber a causa, estou convencido que tenha sido por causa do medo.

O medo de sentir dor. De sentir raiva. Frustração. Tristeza. Por causa do medo, escolhi não sentir nada. Escolha essa que sequer foi consciente, porém, certamente surgiu como consequência de outras escolhas. Como aquela vez em que não me aproximei. Ou quando não deixei que se aproximassem. Ou quando encontrei defeitos banais. Ou quando me convenci que era impossível.

Quanto tempo faz?

Que minhas entranhas não fazem nada além de trabalhar a matéria que precisa ser processada? Que meu interior se dedica inteiramente a me fazer sobreviver? Que eu mesmo não sou capaz de viver de verdade?

Será que alguém pode me explicar que merda eu estava fazendo? Ou o motivo para isso?

Porque agora eu sou capaz de sentir. Pela primeira vez em muito tempo. E é maior do que a dor de não sentir nada. Olhar para trás e ver o abismo do qual acabo de sair é assustador. E o medo de voltar lá é mil vezes maior do que o medo de me machucar.

Por maior que seja a vergonha que uma atitude movida pelo amor possa causar. Por maior que seja o embaraço social imposto a qualquer atitude tomada em razão de uma vontade momentânea. Porque, por mais que digam que a paixão é a causadora da tolice, ela também é a causadora da felicidade em seu estágio mais animal. É instintivo sentir desejo e querer algo ou alguém. Para manter uma vida saudável, eu preciso sentir algo. Mesmo que signifique me sujeitar à dor e ao julgamento alheio.

Passar vergonha? Por favor. Antes outros se sintam superiores do que eu me sinta inferior. Afinal, a única pessoa que passa 24 horas comigo sou eu mesmo.

E que se dane o comodismo. Ficar sozinho é confortável, mas não passa disso. A solidão é o primeiro abraço de um definhar sem fim. Eu não farei essa cama para mim mesmo. Antes passar anos me enganando e pensando ter algo especial, se isso significa tentar seguir em frente.

Quanto tempo faz?

Não importa. Agora acabou.

Prepare-se, mundo.

Agora que eu me joguei nesse abismo, vai ser difícil me assustar novamente.

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