Conto de um Sonhador

Relax

Conto de um sonhador

Por Thiago Camargo Conceição

Chame-me de tolo. Ou então de sonhador. Para muitos, é a mesma coisa. Não entendo porque precisam me banalizar dessa maneira. Não deve ser porque eu penso que o mundo ainda pode ser um bom local para se viver. Não.
Não deve ser porque preciso acreditar que o mundo não é um local destinado à destruição. Não.
Não é porque eu consigo exprimir meus sentimentos em palavras exaltadas com tamanha facilidade, tentando levar as pessoas a ver as coisas como eu vejo. Afinal, se nos entregarmos de uma vez à desilusão, que será de nós? Para quê vivemos, então? Não haveria mais necessidade de pisar nesse chão, sentir esses cheiros ou ver essa paisagem que o mundo nos oferece, dia após dia.
Algumas pessoas pensam que eu poderia ser um revolucionário. Mas então por qual razão não sinto a necessidade de mudar nada? E basta que ouçam isso para que eu seja chamado de acomodado. Mas eu não fico simplesmente esperando o mundo se destruir, como todos. Dia após dia, simplesmente sento-me em meu local favorito, observando como o mundo funciona. E encontro alegria nisso. No quanto as pessoas ainda vivem suas vidas, apesar do quanto reclamam. No quanto somos capazes de amar e sermos amados, dia após dia, mesmo vivendo no mundo em que vivemos.
Mudam então meu apelido para filósofo. Chamam-me de romântico. E, quando mostro algumas das características das quais os românticos muitas das vezes se esquecem, então me chamam de realista ou pessimista.
Mas isso só demonstra o quanto somos capazes de sentir. Eu somente tento mostrar a todos que o mundo é construído através de nossos atos. Que ninguém precisa ser unidimensional.
E, quando eu paro e olho à minha volta, o tempo parece me acompanhar. Como se não houvesse passado ou futuro. Como se tudo o que importasse no universo estivesse concentrado na minha pessoa. E pront. Agora me chamam de egocêntrico.
Mas porque então não posso ser um sonhador romântico, um filósofo egocêntrico, um revolucionário tolo?
Porque todos sentem tamanha necessidade de me contrariar? Porque não podemos simplesmente parar de classificar uns aos outros e simplesmente nos ajudarmos? Porque “ajudar” é um conceito tão complicado para alguns? Eu não compreendo incapacidade que alguns têm de ajudar sem intenção de obter vantagem. Ou como pode alguns tendo tanto e outros com tão pouco.
Mas ninguém me explica. Sou apenas um tolo. Simplesmente tolo. Não tenho direito de querer ver como seria um mundo mais igual, porque o homem tem necessidade se sentir superior. Por isso somos classificados. Por isso sentimos necessidade de ser separados em classes, para podermos nos sentir superiores e relação às classes “inferiores”.
E todos perdemos. Porque a conquista de um degrau social só traz o desejo de outra conquista a seguir. E todos ali, sem ver que a vida se perdeu no meio da escada.
Mas chega disso tudo. Vou parar com os devaneios. Afinal, sou apenas um tolo. Sou apenas um sonhador…

Anúncios

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.