Colônia

Micro Texto 01

Colônia

Lucas Alves Serjento

Milhares de corpos se movem o tempo inteiro. Vivem em movimento, sem tempo para olhar para os lados ou analisar que tudo aquilo não passa de um carregamento em fila indiana.

Os dias passam, os corpos se movimentam ainda. Sol, chuva, calor e frio. E a movimentação não para nunca.

Um dia, algo destrói o mundo daqueles corpos. Eles se vêem sem direção, seu lugar para voltar foi vítima de eventos imprevistos. Talvez alagamentos, desmoronamentos ou mesmo ataques de terceiros. Os corpos se dirigem loucamente em todas as direções, sem entender para onde ir, a quem recorrer. A fila indiana se desfez e a movimentação passa a ser descoordenada.

Mas, com o tempo, uma nova fila, parecida com a primeira, se forma. Um novo caminho para um novo lugar. Aqueles que sobreviveram param de se movimentar descoordenadamente. Olham em redor e vêem a fila para a qual voltar. É alguém novo que guia, mas o conforto de sempre está na movimentação familiar.

Milhares de corpos que se movem em fila indiana.

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