Adeus – Castro Alves

Projeto Renascimento 02

Adeus

Castro Alves

— Adeus — Ai criança ingrata!
Pois tu me disseste — adeus —?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.

— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria
És a derradeira flor.

— Adeus! — miséria! Mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.

Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.

O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho,
— Outro o orvalho da amplidão.

Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!

Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —

Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.

A onda expira na plaga…
Porém vem logo outra vaga
P'ra morrer da mesma dor…

— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —,
Maria! Ou não me fales de amor!


Projeto Renascimento

Seleção por Lucas Alves Serjento


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